Pintar com
Luz – Holografia
Com a descoberta da Holografia
— do grego “holos” (todo) e
“grafia” (registo)— tornou-se
possível registar numa placa de vidro ou
filme cobertos de uma emulsão holográfica
de alta resolução, toda a informação
luminosa de um objecto bi ou tridimensional. Enquanto
que, pela fotografia, por exemplo, registamos
apenas a informação contida na amplitude
da luz, na Holografia registamos a informação
contida na amplitude e na fase da luz, que se
manifesta num padrão microscópico
de franjas de interferência. Para que seja
possível fazer holografia é absolutamente
indispensável que se use luz coerente,
isto é, com um único comprimento
de onda. A Holografia, embora tenha sido descoberta
em 1948 por Dennis Gabor, que por isso recebeu
o Prémio Nobel da Física, apenas
produziu resultados efectivos após a descoberta
do laser em 1960. De entre as suas várias
aplicações, a Holografia de Imagem
tem sido trabalhada por vários artistas
de forma criativa, desde o final da década
de 60.
A abordagem criativa da Holografia tem permitido
a diversificação da linguagem expressiva
em vários domínios, não apenas
documentais, mas também imaginativos. Assim
a Holografia permite o desenvolvimento de diferentes
aspectos do vocabulário artístico:a
segunda e terceira dimensões, o espaço-tempo,
o movimento, a cor, formas reais e abstractas,
são alguns dos elementos explorados de
maneira individualizada por cada artista hológrafo,
ao longo destes anos. Como a Imagem Holográfica
é um registo de luz, qualquer objecto aí
registado é imaterial. Sem luz não
se pode fazer o holograma; sem luz no ângulo
apropriado não se pode ver a imagem existente
no holograma.
Os hologramas apresentados nesta exposição
são de reflexão multicoloridos.
Estão agrupados em séries: “Paisagens
de Luz”, “Faces” e “Hologeometrias”
e foram desenvolvidos de maneira a explorar um
tema em diferentes composições.
As imagens, desmaterializadas, podem entender-se
num movimento contínuo ou descontínuo,
mudando em função de diferentes
pontos de vista. A percepção das
cores e do espaço de um holograma faz-se
em planos que podem destacar-se do suporte, ou
alterar-se. Apresentam transparências e
atmosferas multicoloridas continuamente mutáveis,
permitindo construir e desconstruir composições
diferentes à medida da mudança de
posicionamento do observador.
As cores são puras, brilhantes, claras,
saturadas e permitem estabelecer relações
espaciais, ligadas por linhas e formas. A variação
do ângulo da luz incidente faz com que a
cor reconstruída se altere e assim permita
uma dinâmica visual resultante da representação
simultânea de diferentes aspectos plásticos
das imagens registadas. As composições
dos hologramas, necessariamente multiplicadas
pelo diálogo mais ou menos profundo do
observador com o holograma, resultam da inquietação
intelectual, emocional e expressiva, bem como
das memórias e do conhecimento suscitados
pelos diferentes temas tratados. Nas suas diversas
combinações, nas suas subtis mutações,
as cores de certa forma libertam-se do desenho,
extravasam a forma, adquirem profundidade ou leveza,
aproximam-se ou afastam-se, como se tivessem vida
própria.
Rosa Maria Oliveira
Licenciatura em Pintura pela Faculdade
de Belas Artes, Universidade do Porto.
Doutoramento em Design pela Universidade de Aveiro,
com a Tese Pintar com Luz, Holografia e Criação
Artística.
Actualmente é Professora no Departamento
de Comunicação e Arte da Universidade
de Aveiro.
Trabalha e investiga na área da Holografia
aplicada às Artes Plásticas desde
1989, em colaboração com os Professores
Dr. Luis Miguel Bernardo da Faculdade de Ciências
da Universidade do Porto e Dr. João Lemos
Pinto do Departamento de Física da Universidade
de Aveiro.
Realizou várias exposições
de Holografia Artística. |