AVANCA 2001
HOLOGRAFIA ARTÍSTICA

Pintar com Luz – Holografia

Com a descoberta da Holografia — do grego “holos” (todo) e “grafia” (registo)— tornou-se possível registar numa placa de vidro ou filme cobertos de uma emulsão holográfica de alta resolução, toda a informação luminosa de um objecto bi ou tridimensional. Enquanto que, pela fotografia, por exemplo, registamos apenas a informação contida na amplitude da luz, na Holografia registamos a informação contida na amplitude e na fase da luz, que se manifesta num padrão microscópico de franjas de interferência. Para que seja possível fazer holografia é absolutamente indispensável que se use luz coerente, isto é, com um único comprimento de onda. A Holografia, embora tenha sido descoberta em 1948 por Dennis Gabor, que por isso recebeu o Prémio Nobel da Física, apenas produziu resultados efectivos após a descoberta do laser em 1960. De entre as suas várias aplicações, a Holografia de Imagem tem sido trabalhada por vários artistas de forma criativa, desde o final da década de 60.

A abordagem criativa da Holografia tem permitido a diversificação da linguagem expressiva em vários domínios, não apenas documentais, mas também imaginativos. Assim a Holografia permite o desenvolvimento de diferentes aspectos do vocabulário artístico:a segunda e terceira dimensões, o espaço-tempo, o movimento, a cor, formas reais e abstractas, são alguns dos elementos explorados de maneira individualizada por cada artista hológrafo, ao longo destes anos. Como a Imagem Holográfica é um registo de luz, qualquer objecto aí registado é imaterial. Sem luz não se pode fazer o holograma; sem luz no ângulo apropriado não se pode ver a imagem existente no holograma.

Os hologramas apresentados nesta exposição são de reflexão multicoloridos. Estão agrupados em séries: “Paisagens de Luz”, “Faces” e “Hologeometrias” e foram desenvolvidos de maneira a explorar um tema em diferentes composições. As imagens, desmaterializadas, podem entender-se num movimento contínuo ou descontínuo, mudando em função de diferentes pontos de vista. A percepção das cores e do espaço de um holograma faz-se em planos que podem destacar-se do suporte, ou alterar-se. Apresentam transparências e atmosferas multicoloridas continuamente mutáveis, permitindo construir e desconstruir composições diferentes à medida da mudança de posicionamento do observador.

As cores são puras, brilhantes, claras, saturadas e permitem estabelecer relações espaciais, ligadas por linhas e formas. A variação do ângulo da luz incidente faz com que a cor reconstruída se altere e assim permita uma dinâmica visual resultante da representação simultânea de diferentes aspectos plásticos das imagens registadas. As composições dos hologramas, necessariamente multiplicadas pelo diálogo mais ou menos profundo do observador com o holograma, resultam da inquietação intelectual, emocional e expressiva, bem como das memórias e do conhecimento suscitados pelos diferentes temas tratados. Nas suas diversas combinações, nas suas subtis mutações, as cores de certa forma libertam-se do desenho, extravasam a forma, adquirem profundidade ou leveza, aproximam-se ou afastam-se, como se tivessem vida própria.


Rosa Maria Oliveira
Licenciatura em Pintura pela Faculdade de Belas Artes, Universidade do Porto.
Doutoramento em Design pela Universidade de Aveiro, com a Tese Pintar com Luz, Holografia e Criação Artística.
Actualmente é Professora no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro.
Trabalha e investiga na área da Holografia aplicada às Artes Plásticas desde 1989, em colaboração com os Professores Dr. Luis Miguel Bernardo da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Dr. João Lemos Pinto do Departamento de Física da Universidade de Aveiro.
Realizou várias exposições de Holografia Artística.

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