UMA RETROSPECTIVA – UMA HOMENAGEM
O AVANCA’97 quer
prestar uma pequena homenagem a um cineasta e documentarista
avancanence que é responsável pelo
registo dos mais importantes documentos fílmicos
da nossa região e do nosso tempo, após
o final dos anos 40.
Padre António Oliveira construiu um acervo
de imagens que são documentos únicos
capazes de reporem verdade à visão
da nossa antecedência e são espelho
da sensibilidade e da voluntariedade do padre, do
professor e do cineasta que sempre foi.
A nossa homenagem é acompanhada de uma pequena
retrospectiva que mais não pretende ser que
uma primeira visão a exigir um trabalho urgente
de classificação e recuperação,
que venha permitir num futuro próximo um
amplo, justo e alargado conhecimento da sua obra
fílmica. UM
CINEASTA – UM DOCUMENTARISTA
Padre António Oliveira
nasceu em Avanca a 12 de Outubro de 1918.
Iniciou os seus estudos no Colégio de Ermesinde,
tendo posteriormente ingressado nos Seminários
de Vilar e da Sé do Port.
Já no último ano e com a creação
da Diocese de Aveiro, terminou os seus estudos
no Seminário dos Olivais.
A 25 de Maio de 1941, rezou Missa Nova na Igreja
Matriz de Avanca.
Nos primeiros anos da sua vida eclesiástica
foi Secretário de D. João Evangelista,
Primeiro Bispo da Diocese de Aveiro Restaurada.
Dedicou longos anos à
actividade de redactor do jornal diocesano “O
Correio do Vouga” e à actividade
de professor durante 32 anos.
Primeiro como docente no Colégio de D.Pedro
V, seria sempre em Aveiro que exerceria esta sua
actividade. Em Novembro de 1941 iniciou funções
de Professor de Moral na Escola Industrial e Comercial,
tendo leccionado posteriormente a disciplina de
Latim no Liceu e no Seminário de Aveiro,
voltando à Escola Industrial e Comercial
de Aveiro para leccionar Português. Aqui
se reformou.
Conjuntamente com a fotografia, o cinema foi um
importante auxiliar na sua actividade de professor,
sobretudo na disciplina de Moral e Religião.
O gosto pelas imagens em movimento levaram-no
a Paris, onde em 1947 adquire a sua máquina
de filmar na Casa Pathé. Trata-se de uma
máquina do formato 9,5mm, equipada já
com motor de corda.
Depois, sucederam-se as viagens, quase sempre
a Paris, Madrid e Vigo, onde comprou sucessivamente
vários e diferentes equipamentos e onde
adquiria os materiais de laboratório necessários
ao processamento dos filmes.
Mais tarde comprou uma máquina Paillard
Bolex 16mm com que filmaria a maior parte da sua
obra.
Fascinado pela constante
evolução das tecnologias da imagem,
Padre Oliveira tem acompanhado na primeira fila
as galupantes transformações dos
suportes dos medias. Da fotografia ao cinema foram
mil experiências que se repetiram com a
chegada da televisão, mais tarde do vídeo
e agora da informática. O fascínio
da tecnologia, a atracção da curiosidade
e o enorme espírito inventivo e experimentador
são a chama que lhe mantém viva
esta fiel paixão – para nosso bem
e prazer
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